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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

o verão [texto]

Dois meses (dois e tal!) depois da última aparição é tempo de voltar para acalmar as hostes. Prevejo um texto longo, em forma de resumo, cronologicamente ordenado, e começando exactamente onde o último terminou.

Assim, depois de Bremen, recebi a visita do mãe e do mano: uma semana com um par de viagens a Moss, uma visita aqui às minas de prata, visitas a Dramem e a Oslo, e umas corridas de bicicleta pelas colinas vizinhas. Apesar do bom tempo que esteve, a experiência de alguma "chuva de Verão" deu para mostrar que tempo estável por aqui é um "luxo". P'lo menos no Verão.


Entre o regresso da família a Portugal e a nossa partida à família, tivemos uma semana muito boa. [Começa a ser recorrente usar o estado do tempo para julgar um dia: um dia bom não é um dia em que o trabalho correu bem, em que se recebe uma boa notícia, em que se ganhou a lotaria; um dia bom e um dia em que o céu não está nublado. Ponto.] Ou seja, a semana boa quer dizer que o tempo esteve fixolas pintarolas. E boa também porque o Festival de Jazz, não sendo nada que se compare aos festivais tugas, teve pelo menos o mérito de trazer o puôbo à rua, coisa rara por aqui. Rara porque a malta sai de casa directamente para o mato, uma vez que é no meio do mato que a grande maioria vive (xiiiiiiiiiiiiiii... que má língua. Pimenta, pimenta. Pimenta na língua para aprender!).


Umas semanas depois de ter cá a família, a família teve-nos lá. As típicas férias de Verão. Ainda em tempo de sebastianar (menos do que tem sido "obrigatório") descemos à capital. Posso agora dizer que os nomes Castelo de São Jorge, Prazeres, Bairro Alto, Rossio, Terreiro do Paço, Belém, Alfama, Alcântara, Lapa e muitos outros, deixaram de ser nomes soltos para se enquadrarem no mesmo mapa. As idas à praia foram um miminho e as visitas a amigos deliciosas. Wim Wenders tem razão: a luz de Lisboa é especial. O seu a seu dono.
Um dia em Sesimbra foi suficiente para sentir a praia e a serra. Outro dia em Óbidos para provar uma ginginha e comprar uns recuerdos. Mas quem é do Norte é-o sempre, e, sendo como nós, sempre lá regressa (até um dia!).
Mais família e amigos, com alguma família e alguns amigos a reclamarem tempo d'antena. E nós nunca chegamos para as encomendas, que diabo! Em última instância (palavra gira, instância), a distância daqui lá é tanta como a de lá aqui. São todos muito bem-vindos!


Entretanto a menina, a filha e a mãe, viajaram até cá, enquanto eu planava pela primeira vez por minha conta. É indiscritível o gozo de voar. E por isso escuso-me a qualquer descrição (menos um ror parágrafos para escrever). Não fui a tempo de conseguir a licença, mas vou conseguir tornar-me independente aqui pelas encostas de Hvittingfoss. A coisa promete! Licença "noruga" para voar.


O oitavo mês foi de regresso a casa e ao trabalho. Entretanto a mãe da menina regressou com alguma preocupação e ansiedade à mistura. Mais umas semanas e as mães hão-de sossegar! Agosto foi (que se lixe a casa e o trabalho!) um mês de "rabinho tremido". É que em Agosto houve uma viagem a Praga e outra (vez) a Ålesund. Ainda Setembro vai no adro e acabamos de chegar de Trapani, Sicília! Sem me alongar muito em descrições e/ou pormenores, ficam aqui alguns palavras presas a cada uma das cidades,
: gentes antipáticas, cicatrizes soviético-comunistas, urbanismo/edifícios muito bonitos, demasiados turistas (mea culpa que lá fomos num fim-de-semana d'Agosto) - para Praga que havemos de lá voltar;
: chuva, chuva, chuva - para Ålesund;
: ruas sujinhas q.b., trânsito quase caótico, centro histórico cuidado, mar quente, peixe fresco - para a Trapani, um óptimo destino para férias de praia e boa comida.
Entre Praga e Ålesund, recebemos a família Peres cá. Regressaram ao Sul com o espanto das  paisagens oferecidas pelo percurso "Norway in a nutshell", e com a sensação de que aqui, a vida acontece ao ritmo das águas dos lagos. Obrigado p'la visita.


Segue-se para os próximos dias (dias e não semanas) o foto-post deste Verão. Até já!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

um dia nas rampas

Sim, rampas. Não confundir com Ramblas.
Para os mais distraídos, é bom saber que Kongsberg tem neve até à ponta dos cabelos. Literalmente; e não é necessário nem ser baixo (referência escusada à altura da menina) nem atirarmo-nos ao chão (outra referência escusada, desta vez às minhas quedas). Que fazer então numa cidade "dominada" por engenheiros? En-ge-nhei-ros (e ainda dizem que não há inferno?). É urgente legislar para que por cada "marmanjo" que entre em engenharia se lhe "ajunte" uma "piquena"? Tipo discoteca: Ah e tal não está acompanhado? Ah não? Então não entra. Pumba!
... onde ia eu? Pois... Kongsberg, cidade a abarrotar de engenheiros, parco em enfermeiras. Enfermeiras? Oh diabo!!! Sim, há dias dizia-me um colega da bola: aqui há os engenheiros do parque industrial e as enferneiras do hospital. Sendo que por cada engenheiro há p'rái menos de 1/4 de enferneira (e ainda dizem que não há inferno!).
... onde ia eu? Pois... Kongsberg, cidade a abarrotar de neve, parco em enfermeiras. Que fazer aqui, então? Cada um sabe de si. Eu, que até nem nutro grande "admiração" por enfermeiras, tenho andado desde o início de Dezembro a tentar partir a outra clavícula. Como? A esquiar (n)as rampas.
Acontece que o resort dista mais do que uma hora, a pé, de casa. Vou de autocarro, à boleia, mas vou. Comprar as subidas não é barato. Alugar o equipamento também não. Ele é o esqui, a bota, os bastões, o outro esqui, a outra bota, o capacete, a máscara, o gorro, o kit de primeiros socorros, o GPS, o mapa do tesouro... ok, ok. Menos, mas ainda assim muita coisa! Depois de algumas idas já havia gasto o suficiente para comprar o equipamento todo (incluíndo o mapa do tesouro).
Prevendo que mais cedo ou mais tarde (mais cedo do que mais tarde) teria que comprar tudo, como haveria depois de carregar o equipamento? O autocarro não passa em frente a casa, é tudo pesado e difícil de transportar... só havia uma solução: comprar uma bicicleta e um atrelado! Mas depois de ver o preço das bicicletas, desisti dos atrelados também. E havia carros mais baratos. Fui a Oslo ver um carro com preço inferior ao de algumas bicicletas (não estou a "reinar") e, como me perdi a tentar convencer o dono que eu percebo de mecânica, sem sucesso, acabei por perder também o último comboio para casa. Não tive alternativa: tive mesmo que comprar o carro se queria vir dormir a casa. Oh lar, doce lar! Os carros aqui são vendidos com 9 pneus: 1 sobresselente; 4 para o Inverno e outros 4 para o Verão. P'lo preço de uma bicicleta não está mau...
Depois do carro, veio o presente mais apreciado nos últimos anos, com a devida vénia à própria menina, minha senhora: um par de esquis que eu "namorei" nos últimos meses. Novinhos. Espectáculo! No dia em que os recebi, dormi a correr e sonhei com eles. Agora, "calçado" num par de [botas "montadas" nuns] esquis, tenho tentado partir uns ossos. Sem sucesso, felizmente.
1: retira-se 15 cm de neve e descongela-se o carro; carregue-se todo o material e siga que se faz tarde.

2: tira-se o material do carro, salta-se p'ra dentro da botas e p'ra cima dos esquis; luvas, máscara, capacete, bastões, 'termos' com o leitinho, biscoitos do pequeno almoço, manual de instruções, etc.

3: salta-se para cima do elevador, e sobe-se... 2 kms.
Uns sobem, outros já descem.
Alegoria da vida!

4: a meio camimho, vira-se p'ra trás, tira-se uma foto e grita-se:
- Jeg kan se meg hjem herfra!

5: depois de se chegar ao topo, sair do elevador em modo "trapalhão", atropelar dois putos reguilas e uma velhinha, quase arrancar a própria orelha no choque contra um pinheiro, consegue-se parar com um certo equilíbrio (não é que seja minha culpa, é só o meu estilo) e tira-se uma foto para esquerda.

6: e outra para a outra esquerda.

7: sai-se de pista, para experimentar paisagens novas, neve nova e novas quedas. Lindo!




[video6] 8: volta-se à pista e tenta-se atropelar mais um fedelho.

9: à enésima descida pára-se antes dos últimos 100 metros para mais uma foto.


10: descalçam-se as botas, arruma-se a tralha e siga p'ró quentinho de casa; oh lar, doce lar!

A caminho, há ainda tempo para uns postalecos d'Inverno:

sábado, 14 de fevereiro de 2009

olh'ó passarinho

Para emprestar um pouco de cor. Não muita, dada a predominância (exagerada) do branco... Cronologicamente ordenadas, em direcção ao passado.





13-02-2009


11-02-2009



02-01-2009


30-12-2008

sábado, 10 de janeiro de 2009

... ao contrário!

O frio ninguém sabe para onde vai!
A terra gira ao contrário; os rios (ainda) correm p'ró mar.
Na noite do dia anterior, as previsões para Freamunde e para Kongsberg eram as que se seguem. (Quando eu for da comissão, há neve e auroras boreais em Julho. Está prometido!) Aconteceu ontem. Nem em Freamunde! Há vinte e tal anos que não nevava assim Portugal.

sábado, 1 de novembro de 2008

trabalhar na noruega

Antes de mais, se parou aqui (exactamente aqui) à procura das dicas siga para aqui. Continue aqui (exactamente aqui) depois das dicas.

Vamos agora ao que me interessa: o trabalho por estas bandas. E por estas bandas, não é fácil trabalhar. Parece que há muita gente interessada em migrar e eu não sei se sabem o que os espera. Tenho falado com outros migrantes e todos partilham, mais ou menos, as mesmas opiniões e todos passam, mais ou menos, pelas mesmas experiências.

Senão vejamos:

1. O Artur começa o seu trabalho e uns dias depois começa a ficar uma horita depois do horário de saída para acabar um trabalhito... e vem logo o chefe perguntar se está com demasiado trabalho, e tal, que não o quer demasiado ocupado, que a vida não é só trabalho, e tal, que vá aproveitar o sol (ou a neve), que a empresa vai contratar mais - portugueses, polacos, suecos, austríacos, alemães, lituanos, madeirenses (oops... também são tugas, não são?) - para ajudar no trabalho. Está mal. Está mal porque o Artur habitua-se a sair às 4 da tarde e depois como é? O que acontece se sair daqui? Mal habituado, está "preso" a este sistema.

2. As chefias, norueguesas ou não, não colocam pressão nenhuma sobre a Ana; e isso é mau. A Ana estava habituada a levar "na espinha" por "dá cá aquela palha" e chega aqui, passa a ser respeitada. Está mal, não acho bem. Há que aproveitar os calos de estimação criados noutros trabalhos e tirar partido deles. Isto de a deixar trabalhar ao seu ritmo não lembra ao diabo.

3. Todo o material pedido pelo Afonso para trabalhar é-lhe facultado pela empresa. Bem, esta é do arco da velha: então como pode uma empresa "fazer negócio" se dá todas as condições ao Afonso? Precisas de outro monitor? Toma! Gostavas de uma cadeira Håg Capisco na secretária ajustável em altura até ao metro e vinte? Toma! Quer se dizer: pagar mil contos por mês a um "artista" e ainda ter que gastar € 100 numa trackball para não o ter "desmotivado" parece-me, no mínimo, uma falta de respeito com o antigo patrão!

4. Todo o material desnecessário para a Catarina trabalhar é facultado pela empresa. Ah e tal, fruta a meio da semana? Sim; esta semana kiwis, na passada bananas e laranjas (por causa da vitamina C, que o Inverno está aí!). Casa de férias na montanha para uns fins de semana? Sim; é extremamente desnecessário ter a Catarina trabalho-casa, casa-trabalho. Há que lhe dar a possibilidade de, de quando em vez, desligar-se do trabalho... e da casa.

E a mim... meu deus, não há respeito nenhum! A semana passada "encomendaram" 2 dias de neve, só para estragar a minha vista d'Outuno. Deixaram tudo branco e eu agora que me amanhe... Não há direito.
(podem comparar com a velha vista)

Deixam-me o regresso a casa neste estado... tratantes!

E como se não bastasse, obrigam-me a trabalhar descalço...
que me sinto melhor assim.
Não sei se aguento muito mais tempo, arre!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

está à porta?

O Inverno vem a caminho. Há uma semana a temperatura desceu p'la primeira vez (depois do Verão) para valores negativos. Tenho-lhe medo: um Inverno com temperaturas médias na zona do zero é uma seca. Ou melhor, um gelo! Escorregadio, matreiro, perigoso... Nada como um Inverno abaixo dos 20 negativos (Saudades da Lapónia?).
Olhando para o último ano em Kongsberg, só pouco mais de uma semana em Dezembro registou temperaturas máximas na zona negativa dos termómetros. Aceitam-se apostas para nódoas negras devido às quedas.

"O" primeiro registo negativo.

O último ano. Comments?

domingo, 17 de agosto de 2008

migrante

Há algum tempo a esta parte que sou migrante. Esta semana mais uma vez. Migrei de Kriatiansand para Kongsberg. É provável que nos próximos meses volte a migrar... de preferência aqui para perto. Nos últimos 2 anos tem sido assim: emigrei de Portugal, emigrei da Finlândia; imigrei para a Finlândia, imigrei para a Noruega.

Mesmo país, nova cidade...
Kongsberg surgiu no séc. XVII em resultado da exploração das minas de prata. É uma cidade pequena, com cerca de 24 mil habitantes, encaixada nas margens do rio Numedalslågen. Um vale verdejante no Verão e que no Inverno pode chegar aos 20 negativos. Assim seja, por muitas e brancas semanas! Há o Kongsberg skisenter na encosta oeste da cidade, e há também por aí um clube de asa delta e parapente... no que diz respeito a desporto, a coisa promete!
No Verão há um Festival de Jazz que, pelos vistos (dizem algumas vozes) merece uma visita. Não cheguei a tempo, mas estarei cá para o ano.
Vista aérea sobre Kongsberg
("emprestada" daqui)
A "Santa Catarina" de Kongsberg

Nova cidade, novo emprego...
Para ajudar (ou justificar) a nova vida, desde ontem que sou...
Mechanical and Industrial Designer. Acabaram-se (finalmente) os descontos de estudante. Não acabaram nada, que serei estudante por mais um ano... até à entrega final, durante o Inverno Lapão!

Novo emprego, nova vida...
A mesma atitude: estamos cá para viver e não para "adiar" a vida para outras "geografias" espaciais ou temporais!