Dois meses (dois e tal!) depois da última aparição é tempo de voltar para acalmar as hostes. Prevejo um texto longo, em forma de resumo, cronologicamente ordenado, e começando exactamente onde o último terminou.
Assim, depois de Bremen, recebi a visita do mãe e do mano: uma semana com um par de viagens a Moss, uma visita aqui às minas de prata, visitas a Dramem e a Oslo, e umas corridas de bicicleta pelas colinas vizinhas. Apesar do bom tempo que esteve, a experiência de alguma "chuva de Verão" deu para mostrar que tempo estável por aqui é um "luxo". P'lo menos no Verão.
Entre o regresso da família a Portugal e a nossa partida à família, tivemos uma semana muito boa. [Começa a ser recorrente usar o estado do tempo para julgar um dia: um dia bom não é um dia em que o trabalho correu bem, em que se recebe uma boa notícia, em que se ganhou a lotaria; um dia bom e um dia em que o céu não está nublado. Ponto.] Ou seja, a semana boa quer dizer que o tempo esteve fixolas pintarolas. E boa também porque o Festival de Jazz, não sendo nada que se compare aos festivais tugas, teve pelo menos o mérito de trazer o puôbo à rua, coisa rara por aqui. Rara porque a malta sai de casa directamente para o mato, uma vez que é no meio do mato que a grande maioria vive (xiiiiiiiiiiiiiii... que má língua. Pimenta, pimenta. Pimenta na língua para aprender!).
Umas semanas depois de ter cá a família, a família teve-nos lá. As típicas férias de Verão. Ainda em tempo de sebastianar(menos do que tem sido "obrigatório") descemos à capital. Posso agora dizer que os nomes Castelo de São Jorge, Prazeres, Bairro Alto, Rossio, Terreiro do Paço, Belém, Alfama, Alcântara, Lapae muitos outros, deixaram de ser nomes soltos para se enquadrarem no mesmo mapa. As idas à praia foram um miminho e as visitas a amigos deliciosas. Wim Wenders tem razão: a luz de Lisboa é especial. O seu a seu dono. Um dia em Sesimbra foi suficiente para sentir a praia e a serra. Outro dia em Óbidos para provar uma ginginha e comprar uns recuerdos. Mas quem é do Norte é-o sempre, e, sendo como nós, sempre lá regressa (até um dia!). Mais família e amigos, com alguma família e alguns amigos a reclamarem tempo d'antena. E nós nunca chegamos para as encomendas, que diabo! Em última instância (palavra gira, instância), a distância daqui lá é tanta como a de lá aqui. São todos muito bem-vindos!
Entretanto a menina, a filha e a mãe, viajaram até cá, enquanto eu planava pela primeira vez por minha conta. É indiscritível o gozo de voar. E por isso escuso-me a qualquer descrição (menos um ror parágrafos para escrever). Não fui a tempo de conseguir a licença, mas vou conseguir tornar-me independente aqui pelas encostas de Hvittingfoss. A coisa promete! Licença "noruga" para voar.
O oitavo mês foi de regresso a casa e ao trabalho. Entretanto a mãe da menina regressou com alguma preocupação e ansiedade à mistura. Mais umas semanas e as mães hão-de sossegar! Agosto foi (que se lixe a casa e o trabalho!) um mês de "rabinho tremido". É que em Agosto houve uma viagem a Praga e outra (vez) a Ålesund. Ainda Setembro vai no adro e acabamos de chegar de Trapani, Sicília! Sem me alongar muito em descrições e/ou pormenores, ficam aqui alguns palavras presas a cada uma das cidades, : gentes antipáticas, cicatrizes soviético-comunistas, urbanismo/edifícios muito bonitos, demasiados turistas (mea culpa que lá fomos num fim-de-semana d'Agosto) - para Praga que havemos de lá voltar; : chuva, chuva, chuva - para Ålesund; : ruas sujinhas q.b., trânsito quase caótico, centro histórico cuidado, mar quente, peixe fresco - para a Trapani, um óptimo destino para férias de praia e boa comida. Entre Praga e Ålesund, recebemos a família Peres cá. Regressaram ao Sul com o espanto das paisagens oferecidas pelo percurso "Norway in a nutshell", e com a sensação de que aqui, a vida acontece ao ritmo das águas dos lagos. Obrigado p'la visita.
Segue-se para os próximos dias (dias e não semanas) o foto-post deste Verão. Até já!