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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

chego sempre à hora que decido chegar!

"A" foto do último Verão. Para mais tarde recordar.


Alguém nos comentários perguntava no primeiro deste mês "Para quando novos posts?!" E eu, não porque a pergunta foi feita, antes porque o plano assim o exige, volto hoje para mais um post. Uma postada como se diz aí pelo ciberespaço.
Não, não estou atrasado. A prova aliás, é o outro comentário que data do último de Dezembro, mais de 2 meses depois da publicação da última "posta" que, desde que não seja de salmão "norugo", marcha sem enjoos, pois com certeza. 
Como diria Gandalf: "Nunca chego atrasado; chego sempre à hora que decido chegar!"


A verdade é esta: quem aqui vem dar uma espreitadela sabe que as novidades não surgem à frequência da Lusa, surgem sim, à minha frequência. Uma frequência de amplitude bem larga, que se há coisa que me faz espécie é a repetição amiudada. E nestes casos, também não há razão nenhuma para que os relatos que "colem" às suas origens no calendário.
Assim, Anabela, muito obrigado por comungares da nossa felicidade. Não esperava outra coisa de ti. E para quem não conhece a Anabela, a novidade é que, se tudo correr como planeado (mais uma vez, o plano) e desejado, serei pai. Serei pai da filha de uma menina extraordinária, a do forcado, lá para os primeiros de Abril. Com rigor, 90% de hipóteses de ser uma menina... se nascer menino vai trajar à menina nos primeiros meses. 


O resto não é muito relevante nesta altura. O trabalho lá está, a rolar como se quer. O Outono foi-se e não deixa saudades. Se há estação que eu vou tentar evitar para o resto dos meus dias é o Outono. Perfeitamente dispensável (sim eu sei que preciso dele para ter o Inverno, mas que é uma moléstia, isso é!). Ainda assim, aproveitei o melhor deste e continuei com o parapente. Já tenho, finalmente, licença para voar. 


Mais novidades... ou nada de novo... nas primeiras semanas que uma estância de esqui abriu por aqui, Gaustablikk no caso, tive que calçar as botas que esperavam desde a Primavera anterior para se estrearem. Quase 2 horas para lá chegar e que valeram bem a pena. Esquiar vale sempre a pena.
A imponência do Gaustatoppen, a montanha mais alta do Sul da Noruega e "vizinha" do centro de esqui.
(por curiosidade, comparem com esta foto)


A caminho de mais uma descida. Empenei um bastão porque lhe caí em cima enquanto tentava agarrar o gancho. Patético!


A encosta Este do Gaustatoppen. Prometi a  mim mesmo esquiá-la esta época, antes da Primavera.


De volta a Kongsberg. Daí até Portugal, batatas com bacalhau, capão, bom 2010. Pum pum. Regresso cá, via Gardermoen, Oslo. 


E quase que não encontrava o swede.


Não fosse a minha visão altamente optimizada para noites de luar.


Agora que os dias crescem, todo o tempo possível é investido na preparação para as perigosas descidas: a minha, no Gaustatoppen (Sábados e Domingos logo desde as 9 da matina!) e a da herdeira para o mundo exterior (todos os dias, todas as horas. Eu e a menina!). Para que se mantenha a coerência, fica aqui a despedida: Até à Primavera, depois das descidas!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

este blog é uma vergonha!

este blog é uma vergonha! (foi assim que comecei, e imediatamente fiz um copy-past para o title). Porque, de facto é! Há mais de um mês que não aparece nada aqui, quando de facto, tem havido muito para "partilhar". Por exemplo, cheguei ontem de alguns dias em Gotemburgo, e temo que a partilha seja feita daqui a umas semanas... inclassificável, imperdoável, im... meu caro portugalilainen!
Que partilho eu hoje, então? Se Gotemburgo fica para daqui a umas semanas, partilho qualquer coisa do mês passado: a saber, o encerramento oficial do Inverno (todos sabem) e o da minha época de esqui. Foi-se. Para Novembro há mais!
Começo p'lo Inverno. Acabou, é certo, mas a Primavera ainda não chegou. Ou melhor: chegou (
oficialmente, todos sabem), mas sem cheiro. Ou melhor: vem a caminho. No fundo, vivemos no hiato entre a partida e a chegada, na transição, na metamorfose... à espera. E como irrita ficar à espera. Desespero!
[nota: quanto mais depressa mais devagar. Ontem fiquei sem "net"; até aqui é d'ontem, daqui para a frente é d'hoje. Continuemos...]
Assim, perdido o fio à meada, ficam aqui as fotos do último fim de semana de Março em Hemsedal, e a promessa de mostrar aqui uns vídeos marotos das últimas horas da época, em Kongsberg, uma semana antes da Páscoa.
O topo mais alto (Totten, 1497 m)
off-piste soberbo: neve virgem e fofa a dar p'los joelhos!

O topo mais baixo (Røgjin, 1370 m).
Totten fica mais ou menos ao centro, acima das nuvens.

A saída no topo Tinden (1444 m).

E, p'la primeira vez neste blog, eu!
(à saída de Tinden, para mais uma descida!).
Só lá faltou a menina.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

um dia nas rampas

Sim, rampas. Não confundir com Ramblas.
Para os mais distraídos, é bom saber que Kongsberg tem neve até à ponta dos cabelos. Literalmente; e não é necessário nem ser baixo (referência escusada à altura da menina) nem atirarmo-nos ao chão (outra referência escusada, desta vez às minhas quedas). Que fazer então numa cidade "dominada" por engenheiros? En-ge-nhei-ros (e ainda dizem que não há inferno?). É urgente legislar para que por cada "marmanjo" que entre em engenharia se lhe "ajunte" uma "piquena"? Tipo discoteca: Ah e tal não está acompanhado? Ah não? Então não entra. Pumba!
... onde ia eu? Pois... Kongsberg, cidade a abarrotar de engenheiros, parco em enfermeiras. Enfermeiras? Oh diabo!!! Sim, há dias dizia-me um colega da bola: aqui há os engenheiros do parque industrial e as enferneiras do hospital. Sendo que por cada engenheiro há p'rái menos de 1/4 de enferneira (e ainda dizem que não há inferno!).
... onde ia eu? Pois... Kongsberg, cidade a abarrotar de neve, parco em enfermeiras. Que fazer aqui, então? Cada um sabe de si. Eu, que até nem nutro grande "admiração" por enfermeiras, tenho andado desde o início de Dezembro a tentar partir a outra clavícula. Como? A esquiar (n)as rampas.
Acontece que o resort dista mais do que uma hora, a pé, de casa. Vou de autocarro, à boleia, mas vou. Comprar as subidas não é barato. Alugar o equipamento também não. Ele é o esqui, a bota, os bastões, o outro esqui, a outra bota, o capacete, a máscara, o gorro, o kit de primeiros socorros, o GPS, o mapa do tesouro... ok, ok. Menos, mas ainda assim muita coisa! Depois de algumas idas já havia gasto o suficiente para comprar o equipamento todo (incluíndo o mapa do tesouro).
Prevendo que mais cedo ou mais tarde (mais cedo do que mais tarde) teria que comprar tudo, como haveria depois de carregar o equipamento? O autocarro não passa em frente a casa, é tudo pesado e difícil de transportar... só havia uma solução: comprar uma bicicleta e um atrelado! Mas depois de ver o preço das bicicletas, desisti dos atrelados também. E havia carros mais baratos. Fui a Oslo ver um carro com preço inferior ao de algumas bicicletas (não estou a "reinar") e, como me perdi a tentar convencer o dono que eu percebo de mecânica, sem sucesso, acabei por perder também o último comboio para casa. Não tive alternativa: tive mesmo que comprar o carro se queria vir dormir a casa. Oh lar, doce lar! Os carros aqui são vendidos com 9 pneus: 1 sobresselente; 4 para o Inverno e outros 4 para o Verão. P'lo preço de uma bicicleta não está mau...
Depois do carro, veio o presente mais apreciado nos últimos anos, com a devida vénia à própria menina, minha senhora: um par de esquis que eu "namorei" nos últimos meses. Novinhos. Espectáculo! No dia em que os recebi, dormi a correr e sonhei com eles. Agora, "calçado" num par de [botas "montadas" nuns] esquis, tenho tentado partir uns ossos. Sem sucesso, felizmente.
1: retira-se 15 cm de neve e descongela-se o carro; carregue-se todo o material e siga que se faz tarde.

2: tira-se o material do carro, salta-se p'ra dentro da botas e p'ra cima dos esquis; luvas, máscara, capacete, bastões, 'termos' com o leitinho, biscoitos do pequeno almoço, manual de instruções, etc.

3: salta-se para cima do elevador, e sobe-se... 2 kms.
Uns sobem, outros já descem.
Alegoria da vida!

4: a meio camimho, vira-se p'ra trás, tira-se uma foto e grita-se:
- Jeg kan se meg hjem herfra!

5: depois de se chegar ao topo, sair do elevador em modo "trapalhão", atropelar dois putos reguilas e uma velhinha, quase arrancar a própria orelha no choque contra um pinheiro, consegue-se parar com um certo equilíbrio (não é que seja minha culpa, é só o meu estilo) e tira-se uma foto para esquerda.

6: e outra para a outra esquerda.

7: sai-se de pista, para experimentar paisagens novas, neve nova e novas quedas. Lindo!




[video6] 8: volta-se à pista e tenta-se atropelar mais um fedelho.

9: à enésima descida pára-se antes dos últimos 100 metros para mais uma foto.


10: descalçam-se as botas, arruma-se a tralha e siga p'ró quentinho de casa; oh lar, doce lar!

A caminho, há ainda tempo para uns postalecos d'Inverno: