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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

a capital do klippfisk

E não, não falo da Noruega. Bacalhau, pelo menos como o conhecemos, não se vê por estas bandas... se excluirmos Ålesund. Precisamente: Ålesund, ou Aalesund para outras configurações de teclado. Pelo menos foi o que li, numa "brochura" de gabinete de turismo. Andei por lá, mas não vi grande coisa... ou não vi mesmo nada! O bacalhau por aqui é como as bruxas: eu não acredito nele, mas que o há, há! Em 3 dias p'la costa Oeste, de Ålesund (lá estou eu outra vez com o å. Ah, à distância de um clique) a Molde, ficam na memória os fiordes recortados e um horizonte elevadíssimo e sinuoso, torturado pelos infindáveis picos. Nesta altura do ano, o tempo por lá muda de mau para péssimo e vice-versa em poucos minutos, ouvi dizer. Ainda assim, à excepção dos finais de tarde, gozei dias solarengos.
Sem klippfisk, mas com uma fartura de túneis de fazer corar as toupeiras: aliás, o maior túnel do mundo é "norugo". São 24 km p'lo ventre montanhoso. Em Ålesund (epá, o gajo não pára como os å's... 'tá-s'armar!) do aeroporto até à ciadade são dois "marítimos". Não se perfuram montanhas, perfura-se o fundo do mar! Eu sei, esta gente está habituada a furar o fundo dos oceanos... mas a ideia é que circule oil e não autocarros! De qualquer modo, não deixa de ser "estranho", saber que se está com o oceano por cima, que nos encontramos a 150, 200 ou 300 metros abaixo da água. E há-os desde Kristiansand ao Cabo Norte. Túneis e ferries! Ferries caros. E túneis caros. Usas, pagas. Segundo os locais, até que os gastos da obra sejam "cobertos". Atravessar um fiordezeco (carro e 2 passageiros) é coisa para umas 200 e poucas coroas (aprox. € 25).
O relato vai longo e logo me acusam de ser um "aborrecido"... seguem-se as fotos.


O amanhecer dos Aalesundenses


Chegada a Molde com o Seilet (Vela) Hotel ao fundo.


Uma ponte antes de mais um túnel "marítimo",
e a mudança repentina do céu.

Vista sobre o canal.


Ao final da tarde.
... não, não conheço a senhora.


Em direcção a nor... nordeste.


A "baixa" by night.
Antes deste shot, confesso que me encontrei com o fiel amigo... encontrei-o num retaurante. Não me atrevo a mostrá-lo, porque de facto, a apresentação deixou muito a desejar. Mas atesto o paladar. Gratinado (uma espécie de) em molho béchamel e com presunto (Espanhol, de certeza), acompanhado de duas fatias de pão de forma e uma TineSmør. Lá está: que o há, há!
O "postal" turístico encontram-no por aqui. Eu gosto deste.

(outro parêntesis e recado para as almas que não têm teclados portugueses e se queixam que não têm ç's de cedilha, ã's com til, ê's com circunflexo... desde que seja um teclado, podem ter å's, ø's, æ's, ö's, ä's... minúsculas, maiúsculas, e assim por diante. E comecem a escrever como deve de ser. Ou não é a língua a nossa pátria? Se não souberem como configurar o teclado vão ao Painel de Controlo e percam-se nas Definições Regionais, não precisam de decorar a tabela ASCII. Fim do recado, fecha parêntesis).


Nota de rodapé: e já lá vão mais de 2 anos desde a primeira. Começou p'la Finlândia, continua p'la Noruega, tende a acabar por Portugal, mas não sem antes experimentar outras paragens... digo eu! É portugalilainen. Não é portugisisk. Poderá ser outra coisa. É de certeza português.
Já agora, para curiosos, são bodas de algodão.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

poucas, mas boas e frescas

Boas! Que é como quem diz: já não nos víamos há algum tempo. O costume. Mas já estamos a meio de Maio e é hora de actualizar a audiência (risos na plateia, 2 ou 3, que é uma plateia pequena). E não actualizei mais cedo por não haver de facto nada de novo e que valesse a pena partilhar (que nós por cá, só partilhamos as coisas boas!). Há quase 2 meses saí da Lapónia com destino ao Algarve norueguês, mas sem intenção de "fazer férias". Vim para me re-unir, novamente (e quero fazer tudo para que nunca mais uma re-união se repita!), à menina do forcado, minha senhora, naturalmente. Mas, que diabo!, com ela re-uniões não dependem da geografia. Porquê, então, Arendal? Porque é na Noruega, e aqui a taxa de emprego é quase de 100%, o que animou a menina-minha-senhora para re-lançar a sua carreira profissional (e eu a minha, claro está. Pelo menos enquanto escrevo a tese, amealho alguns cobres para poder encomendar a Francisquinha); e porque fomos amavelmente "convidados" pela prima a usufruir de alojamento gratuito em sua casa. E o que quer que seja gratuito, num dos países mais caros do mundo, mais do que bem vindo, é abençoado! Entretanto o gratuito sofreu um revés estranho e repentino (daria - dará? - uma "análise" profunda, mas como este é um espaço de notícias boas, mesmo boas, mesmo, mesmo boas, não sobeja espaço algum para relatos tristes). Para lá das coisas tristes, há razões para a actualização! E não, não se trata da chegada da Vera, a prima, nem dos decotes norugos, os profundos. As notícias não são excelentes... a menina ainda não re-lançou a carreira (mas também já faltou mais), nem eu (mas também já faltou mais), e nem sequer comecei a tese que já devia estar pelo meio (mais também já faltou mais)... a boa notícia é que, finalmente consegui dar uso (com proveito) à cana de pesca: pesquei um bacalhau! Encontrei-me com o fiel amigo. Barbas nas barbas, literalmente! té téééééé´´éééééééé (som produzido em clara manifestação de alegria - tipo superdragões - ilustrado com detalhe; repararam na perda da voz algures pelo meio?).
Tal encontro só foi possível graças à simpatia e amizade de uma dupla fantástica de amigas (espanhola e "noruga"). Já aqui havia descrito a simpatia e disponibilidade norueguesas. E assim foi. Fomos recebidos por viks, numa casa vik (lar de uma família de galos de Barcelos) nos arredores de Portør, e por um cicerone sempre bem disposto, sempre disponível para uma piada, e, imagine-se, de boné portuga 5 quinas! E por isso, fica aqui o sincero reconhecimento e agradecimento pela fantástica hospitalidade e por aquele que foi até ao momento, provavelmente, o nosso melhor dia na terra dos fiordes. Depois da pescaria espero voltar rapidamente, não para relatar, mas para mostrar o resultado conseguido no prato com o juvenil bacalhau. E espero poder dizer em breve que a tese já tem algum parágrafo e, ou, que o financiamento da prole está assegurado!

p.s. Devido à caneta azul, a imagem dos profundos não pode ser partilhada. Pelo facto as minhas sinceras desculpas!

sexta-feira, 21 de março de 2008

mudar d'ares...

Março... hoje é o dia perfeito para dizer: tanto durmo como faço! É um dia especial, por isso. E porque é Dia Mundial da Árvore e da Floresta, e porque, mais hora menos hora, é por estes momentos que a Primavera se nos apresenta, ou ainda porque, e voltando ao provérbio, é dia de equinócio.
Para mim estas são só razões secundárias... este dia é especial porque hoje volto aqui ao portugalilainen para falar, também, do
portugisisk! Ah pois é. O portugalilainen mudou-se novamente para terras viks e a menina do forcado acompanha-o, a marota!
As últimas andanças laponas foram para tentar pescar o-que-quer-que-possa-nadar-debaixo-de-meio-metro-de-gelo (logo que consiga umas imagens da figurinha, volto ao evento) e, naturalmente, apreciar em modo especial algumas "finnishenesses", entre elas, a instituição
sauna.
Temperatura e humidade à entrada.
(curiosidade: é normal a temperatura pode subir acima dos 120 ºC)
A cerveja estava, como convém, fresquinha!

De resto, fui brindado com outra instituição nórdica, uma
aurora borealis de se lhe tirar o chapéu (esmerou-se e brindou-me com coreografias arrojadas), aquém da minha estreia em Outubro de 2006, mas, ainda assim superior às de Tromso. Muito bom!


Ainda deixei bacalhau ao amigo
finn (espero que o consiga "dominar") e fui a tempo de preparar umas rabanadas saborosas para emprestar um pouco de portugulidade a um "lanche" amavelmente oferecido por uma numerosa família local (5 filhos e mais se projectam para o futuro).
À saída de Rovaniemi, pese embora o branco dominar totalmente a paisagem, as temperaturas pisaram terreno positivo e, em Março, isso significa a (pseudo-) despedida do Inverno e o início de uma espera tortuosa até que se possa de facto sentir a Primavera (lá para meados de Maio).
O sol "rasteirinho" sobre o Kemijoki gelado, onde se anda
(lentamente)


ou se esquia
(mais depressa)

ou se conduz uma "
snowmobile"
(ainda mais depressa!)

de preferência aproveitando o sol que em Junho deixará de se pôr!

Sobre os dois dias em Helsínquia, a viagem até Arendal na Noruega, e o -enésimo (re-)encontro com a menina do forcado, minha "patroa", prometo actualização até ao dia de Páscoa. Assim, boa Páscoa, happy Easter, hyvää Pääsiäistä ou god Påske, consoante a preferência de cada um!